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10 setembro

#SETEMBROAMARELO Atenção e compreensão - A vida não é só uma campanha nas redes sociais!

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Ele era formado. De profissão, família e status. Dinheiro não lhe faltava, assim como amigos, pois estes, estavam ali para todas as horas. 
Era exemplo da família. Inspiração para os irmãos, motivo de orgulho para os pais. Prodígio! 
Tê-lo em casa era maravilhoso. Alegria, conversas animadas e muita felicidade. Que homem! 
Seu filho o amava, sua esposa faltava lhe idolatrar, e por onde ia, deixava histórias para contar. 
Que vida perfeita, que vida dos sonhos! Contudo, por que ele já não estava satisfeito com o que estava vivendo? 
Seria tamanha ingratidão querer mais do que tinha? Seria desvalorizar suas conquistas querer ir além? 
Deveria procurar ajuda? Melhor não, iria parecer drama demais. 
Um copo de cerveja e uma tarde no boteco foram os precursores do seu primeiro surto. "Surto mesmo, ou ele só está querendo aparecer?", logo questionou a vizinha. 
"Larga de bobeira, irmão! Você tem tudo, não precisa disso", o amigo aconselhou. 
"Você tá querendo encher a cabeça do seu pai né?", a irmã logo o acusou. 
E ele se culpou. Afinal, era culpado! A culpa era dele. Que não tinha Deus. Desorientado! 
Estava precisando trabalhar mais. Ou quem sabe de um coro depois de velho? Onde já se viu né? O primo de 12 anos não dava esse trabalho mais e um homem de 40 dando todo esse show. 
Deveria procurar ajuda? Melhor não, nem o primo caçula dava tanto problema.
Ora ora ora, onde estavam os seus amigos? Ele percebeu que sumiram. Já não era digno deles? Claro que não! Marmanjo que fica "brincando de depressivo" tinha que ficar sozinho mesmo. 
A esposa? O largou. Levou o filho também, que já não via ali um herói. 
Deveria procurar ajuda? Melhor não, pra quê? Nem o filho dele estava perto mais. 
Seus irmãos? Perderam a paciência. Cansados de tantos surtos, afastaram-se para não mais serem atingidos. 
Bem feito! Só lhe restava a solidão. Culpa dele que não valorizou o que tinha. Mas de repente não tinha nada. Então, por que ainda era preciso viver? 
Gilete
Faca
Garrafa
Remédio 
Drogas
Veneno
Ele tentou, mas nem se matar ele conseguia! Seria seu carma ali viver? Seria seu carma já não saber se controlar? Seria seu carma não saber quando outro surto iria chegar? 
Ajuda. Valia a pena procurar? Será que valia a pena?
Pois vivo em carne ele já sabia, que sua alma não mais existia, dentro do corpo daquele que um dia, carregou o posto de exemplo.

 
24 junho

Já perdeu algo que fez você se perder?

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A dor da perda é engraçada, é cruel
Ela machuca aos poucos, fere, engana 
Em meio aos outros, não é sentida 
Na solidão, uma vadia
Aflora, cutuca, atiça
Faz com que você queira se perder, por não poder mais encontrar aquilo que se foi. 

Chega de todas as formas, é esperta
Prepara junto à saudade, dias vazios
Noites em claros
Lágrimas de tristeza. 

Ela vai te tornar frágil
Vai fazer você questionar a sua realidade
"será que isso é um exagero?"
Dificultará o entendimento dos acontecimentos
Muitas vezes, te tornará egoísta.

Irá eliminar a tua vontade de ficar em casa
De exercer simples atividades
De viver
Você quer viver depois daquilo que perdeu? 

Ai! Ai!, essa Dor. 

Você precisa vencê-la
Vivendo ou sobrevivendo
Cumpra o papel que também lhe foi reservado
Finja
Sorria
Gargalhe quando for o momento
Está tudo bem

Ninguém deve pensar o contrário
Alguém pode te ajudar?
Creio que não
As pessoas não podem parar em prol de ti
E o que lhe resta é pensar
Rezar
Suplicar que
Em algum momento, tudo isso se tornará um alívio. 

Não é?




10 junho

Tem um diploma no fim do túnel

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As vezes eu não consigo entender como icebergs tão grandes e fortes conseguem ser atingidos por outros fatores da natureza ao ponto de virarem meros nada. Lembranças históricas, estudadas por profissionais e marcadas nas etiquetas que em tal ponto, só servem para ressaltar como as coisas estão acontecendo do jeito errado.

A culpa não é da grande rocha congelada, longe de ser, mas no final, é ela a única que vai sentir os impactos reais de tantas mudanças. É assim que eu tenho me sentido durante todo esse semestre. No sétimo período do curso de Jornalismo, em uma das faculdades mineiras mais fortes na área, eu sou um iceberg. 

O TCC deveria ser mais fácil. Eu sonhava com ele. Desde o primeiro período observando possíveis assuntos que poderiam ilustrar aquelas tantas páginas do meu artigo científico. Me aproximava dos professores, ponderava interiormente com o meu lado juíza de valores, qual deles poderia ser o meu grande auxiliador durante aqueles meses de desenvolvimento. 

O tema é mais do que pessoal. Está dentro meu dia a dia, completa as minhas ações e marca uma Bárbara “militante” que poucas pessoas pareciam conhecer. Com ele, eu esperava alcançar mais do que a banca, mas também, o mundo. Ser referência para outros artigos, auxiliar em projetos, ou simplesmente, abrir a mente de outras pessoas. 

Mas hoje, faltando nove dias para a defesa da minha banca, sinto o gelo escorrer pelo meu corpo de forma que cada vez fica mais claro: estou reduzindo, acabando. E talvez o sonhos de caloura não sejam possíveis, ou são? A insegurança anda ao meu lado tanto quanto as famosas e odiadas normas ABNT, então sei que o meu discurso em relação a este projeto, muda a cada segundo. Não sei o que está acontecendo. 

Mais a frente está plagium.com.br que pela vigésima vez analisa a possibilidade de plágio, corretores ortográficos, François, Vivians, Gabrielas, Guilhermes… tudo o que eu posso usar para tentar diminuir um pouco mais o meu derretimento, eu uso. Funciona? Eu não sei. 

Nove dias. Nove dias. Nove dias. Na parede de um presídio seriam nove riscos, na prisão da minha mente eu sei que riscarei um a cada dia que passar, porque a esperança é que, ao final destes, o sol já não bata tão forte, as camadas da minha pele parem de descer e eu consiga permanecer. Permanecer assim como comecei, um iceberg. 

Afinal, tem um diploma no fim do túnel. E uma longa vida pelo resto da estrada.

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